Copa do Mundo 2022: Messi Campeão — a final mais épica da história
No Qatar, Lionel Messi conquistou o único título que faltava na carreira numa final que muitos já chamam de a melhor partida da história do futebol. Mbappé fez hat-trick e quase virou. A Argentina foi tricampeã. O Brasil caiu nos pênaltis para a Croácia. Marrocos chegou às semifinais pela primeira vez.
Era 18 de dezembro de 2022. Estádio Lusail, Qatar. Final entre Argentina e França. Com 2 a 0 para a Argentina e 10 minutos para o fim, o mundo se preparava para coroar Messi. Então Mbappé marcou dois gols em 97 segundos — 2 a 2. Prorrogação. Messi marcou. Mbappé empatou de pênalti — hat-trick histórico. 3 a 3. Pênaltis. Gonzalo Montiel bateu o último, a bola entrou, e Lionel Messi, com 35 anos, finalmente ergueu a taça que havia perseguido por toda a carreira. A Argentina era tricampeã. E o mundo havia acabado de assistir à maior final da história das Copas do Mundo.
O Qatar: a Copa mais controversa e mais grandiosa da história
A escolha do Qatar como sede em 2010 foi imediatamente controversa. Um país do tamanho de Sergipe, sem tradição futebolística, com temperatura de 45°C no verão e acusações de corrupção no processo de candidatura. A FIFA foi obrigada a mover a Copa para novembro e dezembro — pela primeira vez na história, quebrando o calendário das ligas europeias.
As críticas sobre direitos humanos dominaram a cobertura pré-Copa: trabalhadores migrantes morrendo nas obras dos estádios, restrições à comunidade LGBT, proibição de bebidas alcoólicas nos estádios. A FIFA e o Qatar responderam com melhorias parciais, mas o debate não acabou.
O que ninguém podia negar: os 8 estádios eram obras de arquitetura impressionante, todos com ar-condicionado e a menos de uma hora de distância entre si. A organização logística foi impecável. E o futebol — especialmente a partir das oitavas — entregou alguns dos melhores jogos da história das Copas.
Para driblar o calor devastador do verão qatarense (45°C), a FIFA moveu a Copa para novembro e dezembro pela primeira vez na história. Os estádios foram equipados com sistemas de ar-condicionado que mantinham a temperatura interna entre 18°C e 24°C — mesmo com o calor externo. A tecnologia custou bilhões e foi criticada por especialistas ambientais como insustentável.
Messi: a Copa da redenção e da eternidade
Lionel Messi chegou ao Qatar com 35 anos e uma carreira incomparável — sete Bolas de Ouro, quase todos os recordes individuais do futebol — mas sem o título que faltava para muitos considerá-lo o maior de todos os tempos: a Copa do Mundo. Havia perdido a final de 2014 para a Alemanha. Havia perdido finais da Copa América em 2007, 2015 e 2016. Havia se aposentado e voltado da seleção. Era sua última Copa.
No Qatar, Messi foi diferente. Não apenas brilhante tecnicamente — decisivo. Marcou em todas as fases do torneio, deu assistências cruciais, liderou nos pênaltis. Seus 7 gols e 3 assistências foram os números mais completos de qualquer jogador da Copa. E na final, com o título parecendo escapar, foi ele que recusou-se a abaixar a cabeça.
Os protagonistas de 2022
O Brasil de Tite: dança, gols e o fim nos pênaltis
O Brasil chegou ao Qatar como favorito de parte da mídia internacional — Neymar era a estrela, mas havia Vinicius Jr., Rodrygo, Richarlison, Casemiro e uma geração de jogadores formados nos melhores clubes europeus. Tite havia transformado a seleção em algo mais coletivo e organizado do que nos Copas anteriores.
Na fase de grupos, o Brasil foi avassalador contra a Sérvia: 2 a 0, com um gol de Richarlison que virou candidato a gol do ano — um voleio acrobático de bicicleta que o mundo assistiu repetidamente. Neymar, porém, torceu o tornozelo e ficou fora dos próximos dois jogos. O Brasil venceu assim mesmo — Camarões foi a única derrota, num jogo com reservas.
Nas oitavas, goleou a Coreia do Sul por 4 a 1 com uma dança coletiva na comemoração de cada gol — alvo de críticas e elogios em igual medida. Neymar voltou. O Brasil parecia na melhor fase possível. Nas quartas, a Croácia.
Com o placar em 0 a 0 na prorrogação, Neymar — que havia voltado de lesão e jogado bem — marcou um gol de categoria: driblou o goleiro Livaković e bateu para o gol vazio. 1 a 0 Brasil com 105 minutos. A Argentina parecia a adversária nas semifinais. Então Bruno Petković empatou nos acréscimos da prorrogação. Pênaltis. Rodrygo e Marquinhos erraram. Brasil eliminado por 4 a 2. Neymar não chegou a bater — e o Brasil não vai a uma semifinal desde 2014.
| Fase | Adversário | Placar | Artilheiros (BRA) |
|---|---|---|---|
| Grupo G | 🇷🇸 Sérvia | 2 × 0 | Richarlison (2, inc. bicicleta) |
| Grupo G | 🇨🇭 Suíça | 1 × 0 | Casemiro |
| Grupo G | 🇨🇲 Camarões | 0 × 1 | — (reservas em campo) |
| Oitavas | 🇰🇷 Coreia do Sul | 4 × 1 | Vinicius Jr., Neymar, Richarlison, Lucas Paquetá |
| Quartas | 🇭🇷 Croácia | 1 × 1 (pen.) | Neymar (105') · Pênaltis: 2×4 — eliminados |
A Final: Argentina 3 × 3 França — a maior da história
A final no Estádio Lusail reuniu 88.966 pessoas e produziu provavelmente o jogo mais dramático da história das Copas do Mundo. A Argentina dominou o primeiro tempo com 2 a 0 — gol de pênalti de Messi e um gol de Di María após jogada brilhante. A França parecia apagada — Mbappé havia sido marcado com eficiência.
Mas com 10 minutos para o fim do segundo tempo, Mbappé converteu um pênalti. Noventa e sete segundos depois, recebeu um cruzamento e bateu de voleio no ângulo — 2 a 2. Uma reviravolta em menos de dois minutos que o mundo não processava. A Argentina havia vencido a Copa e ela foi tirada em questão de instantes.
Na prorrogação, Messi marcou o terceiro — mas Mbappé converteu mais um pênalti para fazer o hat-trick e empatar novamente, 3 a 3. Nos pênaltis, Emiliano Martínez foi o herói — defendeu uma cobrança e intimidou os franceses. Gonzalo Montiel converteu o decisivo. Argentina tricampeã.
Linha do tempo: os gols da final
França: Mbappé 80' (pen.), Mbappé 81' (voleio), Mbappé 118' (pen.) — Hat-trick histórico
88.966 espectadores · Árbitro: Szymon Marciniak (Polônia)
Marrocos: o milagre que o mundo não esperava
A Copa de 2022 teve um protagonista inesperado que roubou o coração de todo o mundo árabe e africano: Marrocos. A seleção do técnico Walid Regragui eliminou Bélgica (terceira do ranking), Espanha (nas oitavas, nos pênaltis) e Portugal (nas quartas, 1 a 0) antes de cair para a França na semifinal.
Tornou-se a primeira seleção africana e árabe a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo. Após cada vitória, as ruas do Marrocos — e de países árabes do Qatar à Arábia Saudita — eram tomadas por celebrações. Jogadores comemoravam com as mães no gramado. O zagueiro Aguerd chorando com a mãe após eliminar Portugal virou uma das imagens mais emocionantes do torneio.
A derrota para a França na semifinal por 2 a 0 encerrou o sonho — mas o legado ficou. Marrocos provou que o futebol africano chegou ao nível mais alto, e sua candidatura à Copa de 2030 foi diretamente impulsionada pelo desempenho no Qatar.
Artilheiros da Copa 2022
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1°
8 gols 🥇 Chuteira de OuroKylian Mbappé🇫🇷 França
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2°
7 gols + 3 assist. + Bola de OuroLionel Messi🇦🇷 Argentina
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3°
4 gols — recorde histórico da FrançaOlivier Giroud🇫🇷 França
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3°
3 gols — melhor do BrasilRicharlison🇧🇷 Brasil
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5°
3 golsMarcus Rashford🏴 Inglaterra
O elenco brasileiro de 2022
| # | Jogador | Posição | Clube | Gols |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Alisson | G | Liverpool | — |
| 23 | Ederson | G | Manchester City | — |
| 2 | Daniel Alves | D | UNAM Pumas | — |
| 6 | Alex Telles | D | Sevilla | — |
| 3 | Thiago Silva (C) | D | Chelsea | — |
| 4 | Marquinhos | D | PSG | — |
| 14 | Eder Militão | D | Real Madrid | — |
| 5 | Casemiro | M | Manchester United | 1 |
| 8 | Fred | M | Manchester United | — |
| 11 | Lucas Paquetá | M | West Ham | 1 |
| 7 | Éverton Ribeiro | M | Flamengo | — |
| 9 | Richarlison | A | Tottenham | 3 |
| 20 | Vinicius Jr. | A | Real Madrid | 1 |
| 10 | Neymar Jr. | A | PSG | 1 |
| 18 | Gabriel Martinelli | A | Arsenal | — |
| 19 | Antony | A | Manchester United | — |
| 21 | Rodrygo | A | Real Madrid | — |
| 15 | Fabinho | M | Liverpool | — |
Curiosidades da Copa 2022
A final entre Argentina e França produziu: 6 gols em 120 minutos (recorde para uma final de Copa), um hat-trick de Mbappé (apenas o segundo na história de finais, depois de Geoff Hurst em 1966), duas viradas parciais, prorrogação e pênaltis. A FIFA a classificou como a partida mais vista da história — 1,5 bilhão de espectadores estimados. Nenhuma final anterior chegou perto dessa combinação de drama e qualidade técnica.
Emiliano "Dibu" Martínez desenvolveu uma técnica única de intimidação nos pênaltis: recusa a devolver a bola ao cobrador, faz gestos, fala com o adversário, tenta desconcentrá-lo. Antes de Coman bater na semifinal, Martínez apontou para o canto e disse "vou pegar". E pegou. Sua polêmica comemoração depois — gesticulando de forma obscena — rendeu punição da FIFA. Mas os pênaltis defendidos ficaram na história.
Na fase de grupos, a Arábia Saudita derrotou a Argentina de Messi por 2 a 1 numa das maiores zebras da história das Copas. O ranking colocava a Argentina entre os favoritos ao título e a Arábia Saudita entre os mais fracos do torneio. Messi havia aberto o placar de pênalti. Os sauditas viraram com dois gols em quatro minutos no segundo tempo. O país decretou feriado nacional no dia seguinte. A Argentina quase foi eliminada na fase de grupos — e foi campeã.
Após cada vitória de Marrocos, os jogadores corriam para abraçar suas mães no gramado — uma tradição que emocionou o mundo inteiro. O zagueiro Jawad El Yamiq, o goleiro Bono, o lateral Hakimi — todos buscaram as mães antes de qualquer celebração. A imagem de Hakimi abraçando sua mãe com manto tradicional no gramado de um estádio do Qatar foi uma das mais compartilhadas da Copa. "Minha maior vitória é ela estar aqui", disse Hakimi.
No primeiro jogo do Brasil contra a Sérvia, Richarlison marcou dois gols. O segundo foi uma bicicleta perfeita: Vinicius Jr. cruzou da esquerda, Richarlison dominou com o peito, jogou a bola para o alto e bateu de bicicleta no ângulo antes que tocasse o chão. Tecnicamente, foi considerado por especialistas o gol mais difícil de executar na história das Copas do Mundo — exigindo tempo, equilíbrio, precisão e potência simultâneos. A FIFA o elegeu o gol do torneio.
O Japão foi a segunda grande surpresa da Copa — derrotou Alemanha e Espanha na fase de grupos (dois ex-campeões mundiais) antes de cair para a Croácia nos pênaltis. A Coreia do Sul eliminou Portugal e foi às oitavas. A Austrália também chegou às oitavas. O futebol asiático mostrou que 2002 não foi acidente — o nível das seleções do continente cresceu consistentemente. Para a Copa de 2026, a Ásia terá 8 vagas — recorde histórico.
Nas oitavas entre Marrocos e Espanha, com a série de pênaltis empatada e Marrocos precisando converter, Achraf Hakimi — lateral-direito do PSG — foi ao ponto de pênalti e levantou a bola levemente no centro enquanto o goleiro Unai Simón se jogava para o canto. Uma "Panenka" perfeita — o chute mais arriscado possível, que só funciona com controle emocional absoluto. Marrocos avançou. A torcida explodiu. Hakimi comemorou com um sorriso calmo.
Cristiano Ronaldo chegou ao Qatar em conflito com o Manchester United — seria sua última Copa. Marcou um gol contra o Uruguai de pênalti — mas depois a FIFA confirmou que a bola não havia tocado nele, atribuindo o gol a Bruno Fernandes. Portugal foi eliminado nas quartas pela Marrocos por 1 a 0. Ronaldo saiu do gramado chorando. Era o fim da era Ronaldo na seleção. Ele nunca ganhou uma Copa do Mundo — a comparação eterna com Messi se encerrou com o argentino campeão.
O Qatar gastou estimados US$ 220 bilhões na Copa de 2022 — mais de 20 vezes o custo da Copa do Brasil em 2014. Os estádios, a infraestrutura, o metrô, os hotéis — tudo construído quase do zero. O custo humano, porém, gerou indignação mundial: estimativas do jornal britânico The Guardian apontaram que entre 6.500 e 15.000 trabalhadores migrantes morreram em obras relacionadas à Copa entre 2010 e 2022. O Qatar contestou os números. O debate sobre responsabilidade da FIFA permanece sem resolução.
Quando Messi foi receber a taça, o presidente da FIFA Gianni Infantino colocou sobre seus ombros um "bisht" — uma veste cerimonial árabe usada em ocasiões de honra e celebração no mundo árabe. A imagem de Messi com o bisht por cima do uniforme levantou debate: para uns, foi um gesto de respeito à cultura local e ao anfitrião; para outros, comprometeu a imagem icônica do campeão. A fotografia, com o bisht preto sobre o uniforme azul e branco, circulou em bilhões de telas nas horas seguintes.
O legado de 2022: Messi, a história e o que vem a seguir
A Copa de 2022 encerrou um debate que durava décadas. Messi finalmente tem seu título mundial — e a discussão sobre o maior jogador da história ganhou um capítulo definitivo para seus defensores. Ronaldo saiu sem o título. A geração de Messi encerrou com o troféu máximo.
Para o futebol mundial, 2022 confirmou tendências importantes: a ascensão do futebol africano (Marrocos), a consolidação do futebol asiático (Japão), e a confirmação de que Mbappé é o herdeiro natural das grandes estrelas do esporte — com apenas 23 anos e um hat-trick numa final de Copa do Mundo.
Para o Brasil, 2022 foi mais uma quartas de final sem avanço — a quarta seguida desde o pentacampeonato de 2002. O hexa segue sendo um sonho adiado. A Copa de 2026, nos EUA, México e Canadá, será a próxima oportunidade. Com Vinicius Jr., Rodrygo e uma nova geração emergindo, o Brasil chegará como candidato — como sempre. A diferença, desta vez, é que a seleção chega sem a pressão de ser anfitriã e com jogadores formados nos melhores clubes do mundo.
- 1930: 6º lugar · 1934: 14º · 1938: 3º
- 1950: Vice — Maracanazo · 1954: Quartas
- 1958: 🏆 Campeão · 1962: 🏆 Bicampeão
- 1966: Fase de grupos · 1970: 🏆 Tricampeão
- 1974: 4º · 1978: 3º · 1982: Quartas
- 1986: Quartas · 1990: Oitavas
- 1994: 🏆 Tetracampeão · 1998: Vice
- 2002: 🏆 Pentacampeão · 2006: Quartas
- 2010: Quartas · 2014: 4º lugar (7×1)
- 2018: Quartas · 2022: Quartas — pênaltis vs Croácia
⚽ Em breve: Copa 2026 — EUA, México e Canadá
A próxima Copa será a maior da história — 48 seleções, 3 países anfitriões, 16 cidades. O Brasil busca o hexacampeonato. A Argentina defende o título. E Mbappé quer escrever seu próprio capítulo. Acompanhe tudo no Netbola.
Tudo sobre a Copa 2026 →Fontes: Wikipedia · FIFA.com · CBF · Museu do Futebol · IFFHS · Placar · ESPN · UOL Esporte · The Guardian
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