Copa do Mundo 1970: O Tri — a seleção mais bonita de todos os tempos
No México em chamas, com altitude, calor e câmeras de TV em cores pela primeira vez, o Brasil jogou o futebol mais belo que o mundo já viu. Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Gérson construíram uma Copa perfeita — e ganharam o direito de ficar com a taça Jules Rimet para sempre.
Era 21 de junho de 1970. No Estádio Azteca, Cidade do México, 107.412 pessoas viram algo que o futebol nunca havia produzido antes nem produziria depois com tanta consistência: uma seleção que venceu todos os seis jogos, marcou 19 gols, não perdeu nenhum, teve todos os 22 jogadores marcando ou assistindo, e jogou com uma alegria, uma técnica e uma beleza que fizeram críticos europeus — que nunca haviam simpatizado com o futebol brasileiro — sentarem e escreverem que tinham acabado de ver a melhor equipe da história do futebol. O Brasil tricampeão não era apenas campeão. Era uma obra de arte com chuteiras.
O Brasil que chegou ao México carregando o peso de 1966
A Copa de 1966, na Inglaterra, foi um pesadelo. O Brasil — campeão em 1958 e 1962 — foi eliminado na fase de grupos de forma humilhante: derrota para a Hungria por 3 a 1 e para Portugal por 3 a 1. Pelé saiu do torneio machucado, com a camisa rasgada e o rosto marcado pelas faltas que os árbitros se recusavam a punir. Ao retornar ao Brasil, declarou que nunca mais jogaria uma Copa do Mundo.
O país entrou em pânico. A CBD (Confederação Brasileira de Desportos) trocou técnicos, jogadores, comissões técnicas. Entre 1966 e 1970, o Brasil teve três treinadores diferentes antes de chegar ao nome certo: Mário Zagallo, o ex-ponta-esquerda campeão em 1958 e 1962 como jogador, que assumiu o comando em 1969.
Zagallo fez uma coisa aparentemente simples, mas que exigiu coragem enorme: deu liberdade aos craques. Em vez de tentar impor um esquema rígido, ele construiu o time em torno dos talentos individuais — e havia talento de sobra. Pelé, convencido a voltar; Tostão, o camisa 9 que pensava como meia; Rivelino, com seu chute de canhão e dribles desconcertantes; Gérson, o maestro; Jairzinho, que marcaria em todos os jogos da Copa.
A FIFA marcou os jogos para o horário do meio-dia no México — a pedido das emissoras de TV europeias, que queriam transmitir ao vivo no horário nobre. O problema: o México em junho tem temperatura próxima de 35°C ao meio-dia, com altitude média de 2.200 metros acima do nível do mar na Cidade do México e Guadalajara. Vários especialistas europeus previram que equipes sul-americanas, mais acostumadas ao calor, levariam vantagem. Tinham razão.
Zagallo e o 4-5-1 que não parecia 4-5-1
No papel, o Brasil jogava num 4-5-1 — ou algo assim. Na prática, era impossível classificar. Quando o Brasil atacava, eram seis, sete, oito jogadores em frente. Quando defendia, recuavam com disciplina. O time tinha ao mesmo tempo a organização de uma equipe europeia e a criatividade do futebol-arte brasileiro.
Gérson era o cérebro: ditava o ritmo, distribuía a bola com precisão milimétrica, variava o jogo entre curto e longo com uma visão de campo extraordinária. Clodoaldo, ao lado dele, fazia a marcação suja e ainda aparecia para jogar — foi ele quem deu o passe que originou o quarto gol na final. Pelé atuava como armador, centroavante e garçom simultaneamente, aparecendo onde a defesa adversária menos esperava.
E havia Jairzinho. O "Furacão da Copa" marcou em todos os seis jogos do Brasil — único jogador na história das Copas a conseguir esse feito. Sete gols no total, com dribles, velocidade e finalizações de qualidade incomum.
Os craques: a geração que não se repete
Fase de grupos: o show começa em Guadalajara
O Brasil foi sorteado no Grupo 3, com Tchecoslováquia, Inglaterra e Romênia — um grupo difícil, mas gerenciável. Os jogos foram em Guadalajara, cidade a 1.560 metros de altitude e com calor intenso. A torcida local adorou o Brasil desde o primeiro jogo.
Na estreia contra a Tchecoslováquia, o Brasil abriu 1 a 0, levou o empate, mas venceu por 4 a 1 num espetáculo. Rivelino marcou um gol de falta impossível — o goleiro Ivo Viktor mal viu a bola partir do pé do brasileiro. Pelé deu assistências e quase marcou de perto do meio de campo, quando o goleiro havia saído — o chute foi centímetros ao lado da trave, mas a ousadia repercutiu no mundo inteiro.
O jogo contra a Inglaterra foi o mais esperado do grupo — talvez o mais esperado de toda a Copa. Campeões em 1966, os ingleses tinham Gordon Banks, considerado o melhor goleiro do mundo, e Bobby Moore, o capitão imponente. O Brasil venceu por 1 a 0, com gol de Jairzinho — mas a história do jogo foi uma defesa.
Pelé recebeu um cruzamento pela direita, saltou e cabeceou forte, colocado, no cantinho inferior esquerdo do gol inglês. Já comemorava quando Gordon Banks mergulhou, pegou a bola quase na linha e mandou por cima. Pelé parou, olhou e disse: "Meu Deus, como ele fez isso?" Anos depois, o próprio Pelé declarou que aquela foi a maior defesa que viu em toda a sua carreira. Banks afirmou que nem sabe como conseguiu chegar à bola. É considerada a "Defesa do Século" até hoje.
Contra a Romênia, o Brasil venceu por 3 a 2 num jogo mais complicado do que o placar indica — os romenos foram corajosos. Pelé marcou dois gols e confirmou a classificação em primeiro no grupo.
| Rodada | Adversário | Placar | Local | Artilheiros (BRA) |
|---|---|---|---|---|
| 1ª rodada | 🇨🇿 Tchecoslováquia | 4 × 1 | Guadalajara | Rivelino, Pelé, Jairzinho (2) |
| 2ª rodada | 🏴 Inglaterra | 1 × 0 | Guadalajara | Jairzinho |
| 3ª rodada | 🇷🇴 Romênia | 3 × 2 | Guadalajara | Pelé (2), Jairzinho |
Quartas de final: Peru 2 × 4 Brasil — o recital continua
O adversário nas quartas foi o Peru, que havia eliminado a Argentina e jogava um futebol ofensivo e alegre. Era o duelo mais sul-americano da Copa — dois times que queriam jogar, que não recuavam.
O Brasil venceu por 4 a 2 num jogo aberto, emocionante e bonito. Tostão foi o grande destaque, com dribles desconcertantes e dois gols. Rivelino e Jairzinho completaram. Os peruanos marcaram dois e poderiam ter marcado mais. Foi provavelmente o jogo mais agradável para se assistir de toda a Copa — e o mais improvável de se defender.
| Fase | Adversário | Placar | Local | Artilheiros (BRA) |
|---|---|---|---|---|
| Quartas de final | 🇵🇪 Peru | 4 × 2 | Guadalajara | Rivelino, Tostão (2), Jairzinho |
Semifinal: o drible que nunca tocou a bola
A semifinal contra o Uruguai foi carregada de simbolismo. Era o reencontro do Brasil com o algoz do Maracanazo de 1950 — 20 anos depois, no México, com o país inteiro assistindo pela TV. A carga emocional era imensa.
O Uruguai abriu o placar com um gol de Cubilla. O Brasil empatou com Clodoaldo. No segundo tempo, dois gols de Jairzinho e um de Rivelino fecharam o placar em 3 a 1 — mas o lance que ficou na história não foi nenhum dos gols.
Com o placar já favorável ao Brasil, Pelé recebeu um lançamento longo nas costas da defesa uruguaia. O goleiro Mazurkiewicz saiu do gol para interceptar. Pelé, em velocidade máxima, deixou a bola passar pelo lado direito do goleiro sem tocá-la — fingindo que iria tocar — e foi buscar do outro lado para chutar. O goleiro ficou parado, sem entender o que havia acontecido. O chute de Pelé passou poucos centímetros ao lado do poste.
Não entrou. Mas ficou. Há quem diga que aquele lance que não foi gol é o lance mais genial da história do futebol.
O lance de Pelé contra Mazurkiewicz nas semifinais de 1970 é estudado em universidades de educação física e treinamentos de futebol até hoje. A ideia de dar um drible numa bola em movimento sem tocá-la — usando apenas o corpo para enganar o goleiro — foi considerada revolucionária. Johan Cruyff, que viu o jogo pela TV, disse que aquele lance mudou a forma como ele pensava sobre futebol.
| Fase | Adversário | Placar | Local | Artilheiros (BRA) |
|---|---|---|---|---|
| Semifinal | 🇺🇾 Uruguai | 3 × 1 | Guadalajara | Clodoaldo, Jairzinho, Rivelino |
A Final: Brasil 4 × 1 Itália — a obra-prima
O adversário na final era a Itália — tricampeã mundial (1934, 1938 e com o vice de 1970 buscava o terceiro título), com a melhor defesa da Copa. Os italianos haviam eliminado a Alemanha Ocidental numa semifinal épica considerada "o Jogo do Século" — vencendo de virada por 4 a 3 na prorrogação, num jogo em que cinco gols foram marcados nos 30 minutos extras.
A final foi diante de 107.412 pessoas no Azteca — o maior público da história das finais de Copa. O choque de estilos era evidente: a Itália do catenaccio defensivo contra o Brasil do futebol-arte ofensivo.
Pelé abriu o placar de cabeça aos 18 minutos — seu quarto gol da Copa. A Itália empatou com Boninsegna antes do intervalo. No segundo tempo, o Brasil foi avassalador. Gérson marcou de canhão aos 66 minutos, um chute de fora da área que explodiu no cantinho. Dois minutos depois, Pelé deu um passe de letra para Gérson, que rolou para Jairzinho completar o terceiro — o sétimo gol do furacão na Copa, em mais um jogo. E então veio o quarto.
Clodoaldo recebeu a bola no meio de campo italiano, cercado por quatro adversários. Em vez de recuar, avançou em velocidade e driblou os quatro — um após o outro — antes de passar para Rivelino. A bola viajou rapidamente para Pelé, que com uma visão de jogo incrível não chutou e deu o passe lateral para Carlos Alberto Torres, que chegava em velocidade máxima pela direita e bateu de primeira no cantinho. O goleiro Albertosi mal se moveu.
Linha do tempo: os gols da final
Itália: Boninsegna (37')
107.412 espectadores · Árbitro: Rudi Glöckner (Alemanha Oriental)
A FIFA produziu o documentário oficial "O Gol do Século" (The Official Film of the 1970 FIFA World Cup), um registro audiovisual único de toda a Copa — com os gols, os bastidores, os dribles e os momentos que fizeram a história. É considerado um dos melhores filmes esportivos já produzidos. Se você quiser ver com seus próprios olhos o que foi aquela seleção, é por aqui:
▶ Assistir ao Filme Oficial da Copa 1970Todos os jogos do Brasil na Copa 1970
| Fase | Adversário | Placar | Artilheiros (BRA) | Local |
|---|---|---|---|---|
| Grupo | 🇨🇿 Tchecoslováquia | 4 × 1 | Rivelino, Pelé, Jairzinho (2) | Guadalajara |
| Grupo | 🏴 Inglaterra | 1 × 0 | Jairzinho | Guadalajara |
| Grupo | 🇷🇴 Romênia | 3 × 2 | Pelé (2), Jairzinho | Guadalajara |
| Quartas | 🇵🇪 Peru | 4 × 2 | Rivelino, Tostão (2), Jairzinho | Guadalajara |
| Semifinal | 🇺🇾 Uruguai | 3 × 1 | Clodoaldo, Jairzinho, Rivelino | Guadalajara |
| FINAL 🏆 | 🇮🇹 Itália | 4 × 1 | Pelé, Gérson, Jairzinho, Carlos Alberto | Cidade do México |
- 6 jogos · 6 vitórias · 0 empates · 0 derrotas
- 19 gols marcados (média de 3,16 por jogo)
- 7 gols sofridos (apenas 2 no mata-mata)
- Todos os 22 jogadores contribuíram com gol ou assistência
- Jairzinho marcou em todos os 6 jogos
- Pelé terminou como melhor jogador do torneio
Artilheiros da Copa 1970
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1°
10 golsGerd Müller🇩🇪 Alemanha Ocidental
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2°
7 gols 🔴 Em todos os jogosJairzinho🇧🇷 Brasil
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3°
5 golsTeófilo Cubillas🇵🇪 Peru
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4°
4 gols + 6 assistênciasPelé🇧🇷 Brasil
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5°
4 golsUwe Seeler🇩🇪 Alemanha Ocidental
O elenco tricampeão de 1970
| # | Jogador | Posição | Clube | Gols |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Félix | G | Fluminense | — |
| 22 | Ado | G | Fluminense | — |
| 12 | Leão | G | Sport Recife | — |
| 2 | Carlos Alberto (C) | D | Santos | 1 |
| 4 | Brito | D | Flamengo | — |
| 6 | Piazza | D | Cruzeiro | — |
| 3 | Everaldo | D | Grêmio | — |
| 16 | Marco Antônio | D | Fluminense | — |
| 5 | Clodoaldo | M | Santos | 1 |
| 8 | Gérson | M | São Paulo | 1 |
| 15 | Paulo César Lima | M | Flamengo | — |
| 11 | Rivelino | M | Corinthians | 3 |
| 7 | Jairzinho | A | Botafogo | 7 |
| 10 | Pelé ⭐ MVP | A | Santos | 4 |
| 9 | Tostão | A | Cruzeiro | 2 |
| 14 | Roberto Miranda | A | Flamengo | — |
| 20 | Edu | A | Santos | — |
Curiosidades da Copa 1970
A Copa de 1970 foi a primeira transmitida em cores pela televisão para todo o mundo. A FIFA pediu que as seleções usassem uniformes coloridos e contrastantes para melhor visualização nas telas. O Brasil, com seu amarelo vibrante, azul e verde, tornou-se a seleção mais fotogênica da Copa — e a imagem do Brasil em campo ficou eternamente associada a beleza, tanto no jogo quanto no visual.
A Copa de 1970 foi a primeira a utilizar cartões amarelo e vermelho. A ideia surgiu após a Copa de 1966, quando o árbitro Ken Aston viu um semáforo de Londres e teve a inspiração: amarelo para advertência, vermelho para expulsão. Curiosamente, nenhum cartão vermelho foi mostrado durante todo o torneio de 1970. O Brasil não recebeu sequer um cartão amarelo na fase final.
A regra da FIFA determinava que a seleção tricampeã ficaria com a taça Jules Rimet definitivamente. Com o terceiro título do Brasil, a taça dourada foi para o país para nunca mais sair. Em 1983, porém, a taça foi roubada da sede da CBD no Rio de Janeiro e nunca foi recuperada. Acredita-se que tenha sido derretida por ladrões para vender o ouro. A FIFA mandou produzir uma réplica, que o Brasil ainda guarda.
Gérson era fumante inveterado e não escondia: fumava cigarros no vestiário durante o intervalo dos jogos. Zagallo fazia vista grossa porque o rendimento do meia era extraordinário. Décadas depois, Gérson tornou-se garoto-propaganda de cigarros no Brasil — e o slogan "Vantagem, você gosta, né?" ficou na memória do país. Ele mesmo reconhece a ironia de ter virado símbolo de algo que prejudicou sua saúde.
Em setembro de 1969, Tostão sofreu um descolamento de retina no olho esquerdo após levar uma bola no rosto num treino. Foi operado nos Estados Unidos. Os médicos disseram que estava proibido de jogar futebol por risco de perder a visão. Tostão convenceu os médicos, convenceu Zagallo e foi para o México — onde foi um dos melhores da Copa. Encerrou a carreira precocemente em 1973, aos 26 anos, exatamente pelo risco de lesão no olho.
Após o jogo entre Brasil e Inglaterra no grupo, Pelé e Bobby Moore trocaram as camisas e se abraçaram por longos segundos em campo — um gesto de respeito mútuo que foi fotografado por todos os repórteres presentes. A foto tornou-se um dos registros mais icônicos do esporte mundial. Pelé disse depois que Moore era o defensor mais difícil que havia enfrentado em toda a carreira.
O Brasil vivia sob ditadura militar desde 1964. O governo Médici — um dos mais duros do regime — usou o tricampeonato como propaganda nacional: "Este é um país que vai pra frente". A seleção ficou associada ao ufanismo do regime, algo que gerou debates históricos por décadas. Mas o futebol era maior que qualquer governo: nas ruas, o povo celebrou por dias — e o que se lembrava era dos gols, dos dribles, da alegria. Não dos generais.
A semifinal entre Itália e Alemanha Ocidental, no dia 17 de junho de 1970, é considerada o maior jogo da história da Copa do Mundo. O placar de 1 a 1 no tempo normal levou à prorrogação, onde cinco gols foram marcados em 30 minutos — incluindo um do alemão Müller no último segundo da prorrogação regular que empatou de novo. A Itália venceu por 4 a 3 num jogo de cinema. No Azteca, uma placa de bronze comemora o jogo até hoje.
Pesquisas realizadas em todo o mundo elegeram o quarto gol do Brasil na final de 1970 como o mais bonito da história das Copas. A sequência começa com Clodoaldo driblando quatro italianos, passa por Rivelino, depois Pelé — que tem a bola na perna direita, vê Carlos Alberto chegando pela direita e toca sem olhar — e termina com o chute fulminante do capitão. São 12 passes envolvendo 8 jogadores diferentes em 24 segundos. Um resumo perfeito daquela seleção.
Mário Zagallo tornou-se o primeiro — e por décadas único — profissional a conquistar a Copa do Mundo como jogador (1958 e 1962) e como técnico (1970). Apenas Franz Beckenbauer repetiria o feito, vencendo como jogador em 1974 e técnico em 1990. Zagallo ainda estaria presente como assistente técnico no tetracampeonato de 1994 e no vice de 1998, tornando-se o profissional com mais presenças em Copas da história.
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O capitão no Azteca com a taça dourada. A imagem símbolo do tricampeonato e de toda uma geração.
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Pelé pulando com o braço erguido após o cabeceio que abriu o placar contra a Itália.
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O abraço histórico entre os dois maiores do futebol daquela geração — uma das fotos mais icônicas do esporte.
Buscar: "Pelé Bobby Moore shirt swap 1970" no Wikimedia Commons
O elenco completo com o uniforme amarelo. Zagallo ao centro. Todos os campeões reunidos na mesma foto.
Buscar: "Brazil 1970 World Cup squad photo" no Wikimedia Commons
Vista aérea do Azteca lotado para a final Brasil × Itália. Uma das maiores finais da história.
Buscar: "Azteca Stadium 1970 World Cup final crowd" no Wikimedia Commons
Cartaz do documentário oficial da Copa de 1970. Ótimo para a seção do filme e para chamadas de vídeo.
Buscar: "1970 FIFA World Cup Official Film poster" no Wikimedia Commons
O legado eterno: por que 1970 é a melhor seleção da história?
Há debates legítimos sobre as melhores seleções da história do futebol. A Hungria de 1954 foi devastadora antes de perder a final. A Holanda de 1974 revolucionou o futebol-total. A França de 1998 foi campeã de forma brilhante. A Alemanha de 2014 destruiu o Brasil por 7 a 1 em campo neutro. Todas têm argumentos.
Mas o Brasil de 1970 tem algo que nenhuma outra tem: a combinação de resultado perfeito com beleza absoluta. Seis jogos, seis vitórias, 19 gols. E não foi apenas ganhar — foi a forma. O gol de Carlos Alberto na final não é apenas o mais bonito da história porque é técnico: é porque expressa um coletivo. Doze passes, oito jogadores, uma jogada que só funciona se todos acreditarem que vão chegar lá.
Johan Cruyff, que inventou o futebol-total com a Holanda de 1974, disse que o Brasil de 1970 era o único time que ele estudava por prazer, não por obrigação. "Quando eu via o Brasil de 1970, eu esquecia que estava estudando. Estava assistindo a algo que me fazia feliz."
Cinquenta e cinco anos depois, quando alguém quer descrever o futebol em sua forma mais pura e bonita, ainda diz: "Como o Brasil de 1970."
- 1930: 6º lugar
- 1934: 14º lugar — eliminado na 1ª fase
- 1938: 3º lugar — Leônidas artilheiro
- 1950: Vice-campeão — Maracanazo
- 1954: Quartas de final — Batalha de Berna
- 1958: 🏆 Campeão — 1º título
- 1962: 🏆 Campeão — Bicampeonato
- 1966: Fase de grupos — eliminação vexatória
- 1970: 🏆🏆🏆 Tricampeão — A Copa Perfeita
📖 Próximo da série: Copa 1974 — O Futebol Total
Na Alemanha Ocidental, Johan Cruyff e a Holanda revolucionaram o futebol com o "Futebol Total" — e perderam a final para o país anfitrião. O Brasil chegou invicto mas sem brilho. Uma Copa de mudanças.
Ver toda a série →Fontes: Almanaque Completo da Copa do Mundo (Discovery Publicações, 2022) · Wikipedia · FIFA.com · CBF · Museu do Futebol · IFFHS · Placar
